Lu Yu & O Clássico do Chá (Cha Jing)
"The Classic of Tea," escrito por Lu Yu durante a Dinastia Tang da China, entre 758 e 780 d.C., é mais do que um simples livro sobre chá; é um tratado abrangente que entrelaça literatura, história e arte, tornando-se o primeiro livro completo sobre chá alguma vez escrito. Com dez capítulos, o livro explora sistematicamente as origens, variedades, qualidade, colheita, produção, preparação, equipamento, degustação e história do chá. Neste artigo, seguimos os passos de Lu Yu e exploramos as origens da cultura do chá.
A lenda de Shennong e a origem do chá

Lu Yu traçou a origem do chá em The Classic of Tea e acreditava que a descoberta e o uso do chá começaram com Shennong nos tempos antigos. A lenda conta que Shennong provou todos os tipos de ervas na sua busca por um bom antídoto/medicamento. Um dia, ele ingeriu acidentalmente veneno. A sua vida esteve em perigo até que engoliu uma folha de chá próxima, que milagrosamente o salvou do veneno. Esta é a lenda de como o chá foi descoberto pela primeira vez. A partir daí, as pessoas começaram a perceber o valor medicinal do chá.
Cultivo do chá, um diálogo entre o solo e as árvores de chá
Em The Classic of Tea, Lu Yu discute o cultivo das plantas de chá. Ele aponta que o solo adequado é a base para cultivar árvores de chá de alta qualidade, e que o solo arenoso com acidez e alcalinidade moderadas é o mais ideal, pois pode manter a permeabilidade do solo e fornecer minerais ricos.
Ao mesmo tempo, as técnicas de cultivo das árvores de chá também são cruciais. A poda e fertilização adequadas podem promover o crescimento saudável das árvores de chá. Por fim, Lu Yu enfatizou a prevenção e controlo de pragas e doenças, acreditando que deve ser adotada uma abordagem ecológica natural para manter a biodiversidade da plantação de chá.
O conceito de que o cultivo do chá representa um diálogo honesto entre o solo e as árvores de chá mantém-se relevante hoje. Durante visitas a jardins de chá na China, a nossa equipa observa consistentemente que os agricultores que cuidam da sua terra e árvores produzem chás superiores. Em contraste, as quintas que dependem de pesticidas, colhem em excesso e esgotam o solo, produzem apenas chás que consideramos meras "mercadorias" em vez de "especialidades".
Produção de chá, o resultado do tempo e da perícia
A produção de chá é uma arte delicada, que Lu Yu considerava uma arte em The Classic of Tea. Ele acreditava em “apanhar o chá no momento certo, fazer o chá com o método correto”, o que significa colher os botões jovens do chá no melhor momento e depois seguir as técnicas tradicionais de processamento. Cada etapa do processo, desde o branqueamento (sha qing) até à amassadura e secagem, requer a atenção cuidadosa de um artesão especialista para garantir o aroma e sabor excelentes das folhas de chá processadas.
Lu Yu deu especial atenção à preservação do sabor natural do chá, que ele considerava a chave para julgar a qualidade do chá. Na Teasenz, seguimos os passos de Lu Yu oferecendo chás chineses autênticos, habilmente processados, que respeitam o sabor da natureza.
Utensílios de chá, arte e utilidade
The Classic of Tea foca-se não só no chá em si, mas também no design e uso dos utensílios de chá. Desde o controlo da temperatura do fogão, ao material do bule de chá, até ao método de mexer com o pincel de chá, cada detalhe reflete a busca dos antigos pela arte do chá. Segundo Lu Yu, os utensílios de chá adequados melhoram a qualidade do chá e tornam cada sessão de degustação uma experiência de beleza e prazer.
Devemos reconhecer que a preparação do chá na época de Lu Yu diferia significativamente das práticas modernas. Na Dinastia Tang (618–907 d.C.) da China, as folhas de chá eram cozidas a vapor e comprimidas em bolos de chá. Para preparar o chá, o bolo era partido em pedaços, moído em pó e fervido. Durante a Dinastia Song (960–1279 d.C.), o conceito de 'chá batido' tornou-se popular. Em vez de ferver o pó de chá, este era batido numa tigela com água quente para criar um caldo espumoso, muito parecido com o matcha que conhecemos hoje. Ao mesmo tempo, os produtores de chá começaram a fazer chá solto, lançando as bases da cultura do chá atual na China.
Preparar chá, a arte da água e do fogo

Preparar chá pode parecer simples, mas envolve muitos detalhes. Lu Yu afirmou em The Classic of Tea que a água usada para ferver o chá deve ser clara e doce, e o fogo deve ser moderado para estimular o melhor sabor do chá. Ele também mencionou que a proporção de chá para água e a duração da infusão são fatores importantes que afetam a qualidade da infusão e devem ser flexíveis para se adequar a diferentes tipos de chá e gostos pessoais. Na época de Lu Yu, o chá era preparado moendo e fervendo o pó de chá. No entanto, os seus princípios sobre a proporção chá-água, temperatura e duração da infusão continuam essenciais na preparação moderna do chá.
Beber chá, uma combinação de meditação e prazer
Lu Yu considerava o ato de beber chá um prazer espiritual, acreditando que beber chá num ambiente sereno e com a mente tranquila poderia ajudar a alcançar a harmonia física e mental. The Classic of Tea sugere “beber chá com a mente tranquila”, que é uma forma de beber chá e uma atitude perante a vida, encorajando as pessoas a encontrar um momento de paz nas suas vidas agitadas e a apreciar a beleza da vida através do chá.
Na sociedade acelerada de hoje, reservar tempo para desfrutar de uma sessão de chá consciente tornou-se mais importante do que nunca.
Avaliação do chá, apreciando a aparência e a qualidade
Os critérios para avaliar as folhas de chá são descritos em detalhe em The Classic of Tea. Segundo Lu Yu, um bom chá não deve apenas agradar à vista, mas, mais importante, deve ser puro no aroma e rico no sabor. Estes padrões que ele propôs foram uma referência importante para as gerações posteriores de amantes do chá.
Na Teasenz, acreditamos que o prazer do chá começa muito antes do primeiro gole. Cheirar, observar e avaliar as folhas de chá secas, e preparar o chá, faz parte do ritual do chá.
A história do chá

Retrato de Lu Yu e excertos de The Classic of Tea
Mais do que uma enciclopédia do chá, The Classic of Tea também discute o desenvolvimento histórico da cultura do chá chinesa. Desde o chá selvagem do período pré-Qin, ao chá de tributo das dinastias Han e Tang, até ao apogeu da arte do chá na dinastia Song, Lu Yu registou o papel do chá nas mudanças sociais da China e mostrou como a cultura do chá esteve intimamente ligada à história chinesa e como cresceram juntas.
Na época de Lu Yu, o chá, a porcelana e a seda emergiram como os produtos de exportação mais importantes. Comerciantes de todo o mundo viajavam para a capital Chang'an para o comércio. O seu livro influente não só popularizou o chá, mas também serviu como catalisador para a disseminação da cultura do chá globalmente, levando a um aumento constante das exportações de chá ano após ano.
As origens do chá e por que as regiões são importantes
O livro lista as famosas regiões produtoras de chá na China naquela época, como Sichuan, Zhejiang e Fujian. Cada região, com o seu ambiente geográfico diferente, produz chás únicos. As descrições de Lu Yu sobre o chá de várias regiões não só enriqueceram o conhecimento do leitor sobre o chá, mas também forneceram informações valiosas para o estudo do chá pelas gerações posteriores.
A arte do chá é sobre a harmonia entre o chá e as pessoas
No seu livro, Lu Yu resumiu o espírito central da arte do chá - a coexistência harmoniosa entre o chá e as pessoas. Ele acreditava que beber chá é mais do que um prazer material, é também um processo de cultivo espiritual. Ao provar o chá, as pessoas podem aprender a meditar e nutrir a mente, alcançar o equilíbrio físico e mental e realizar a auto-transcendência. Esta filosofia de Lu Yu continua a influenciar profundamente a cultura do chá na China e no mundo, e tornou-se a pedra angular da arte do chá.